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blues

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  ***   a voz que chama o vento é leve, e leve esparsa as nuvens de um pensar aflito enquanto o céu responde em tom bonito um blues suave, assim como se deve   que as águas desse mar tão exclusivo levantam-se em ondas, clara espuma daqui a observá-las, uma a uma remeto-me aos aplausos efusivos   à voz que chama o vento, pois merece no entanto, nem por isso se envaidece pensa somente no seu compromisso:   chamar o vento para que o céu cante seu blues suave que, às horas, garante um outro olhar à vida e um novo viço   Lena Ferreira

por entre os dedos

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    ***   trago nos olhos o pó do chão de Marte e nos cabelos o sopro de nove luas este sorriso resenha o espelho vosso e não são lágrimas que lavam os meus pés são oceanos que encobrem minha veste e em maré cheia ampliam as nuvens fáceis entre sussurros me abraça a maresia que me devolve a calma que não tinha trago nos olhos o pó de muitos dias - por entre os dedos cochilam poesias - - Lena Ferreira - #lenaferreira @lenaferreiraquaseserena

quase reza

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*** são calmos os versos nascidos nessas últimas horas inverniças: quase salmos, quase preces, quase reza, quase um acalanto - calmos - tão calmos que não choram apesar do frio tenso, o vento intenso e a palmada do pós parto; se aquecem, agasalhados por estrelas  e pelo canto... ...que nina cada verso com zelo profundo e, pouco a pouco, apresenta-os ao mundo    – Lena Ferreira –  

na varanda de minhas vontades

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  ***   plantaste sementes fecundas na varanda de minhas vontades - até então, adormecidas - e, diuturno, zeloso na rega, umedeces a terra dormente fertilizando o entorno com palavras tenras, ternas - eternas -   - Lena Ferreira -

antes que a noite adormeça

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*** antes que a noite adormeça, intuo, virás quieto e assaltarás o meu sono esse mesmo que bebi com os olhos das esperas secretas, sensíveis, cordatas, fragmentadas por um espelho distante aromado por fragrâncias sutis e seguras pigmentado em textura de suave anis e, debruçado na varanda destes seios, aspirarás todos os versos que te fiz e resguardei debaixo dos desassossegos por entre as notas do que ficou por dizer e, alimentado tenra, intensa e fartamente, descansarás esses teus lábios nesta sede que os beberá com a mesma calma imprevista - e a mesmíssima urgência propícia - desses deságues que engravidariam nuvens não fosse o vento das vontades que as dissipam antes que a noite adormeça, intuo, virás quieto e assaltarás o meu sono... ...e devolverás o meu sonho. - Lena Ferreira -

de verbena e lírio

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*** não há portanto no instante resistente nem mais saudade de torpor insustentável e os defeitos exclamados pelos tantos são devaneios de Pandora aborrecida não há mais vento, ventania ou tempestade nem mais marés em tantos cantos insistentes por entre as veias, corre um rio fresco e manso e uma brisa morna embala os pensamentos não há mais grito no enquanto tão silente nem mais sussurro acordando a lua avulsa das mãos exala um misto de verbena e lírio e os pés, por hora, tocam levemente o chão - Lena Ferreira - 

luzeiro

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    ...     em onda rasa ou profunda lança o anzol, um luzeiro pescando as ilusões do mundo   - barquinho em mar agitado remando contra a maré -   balaio cheio de ventos é isca para vazantes antídoto à anestesia alívio à agonia   um verso preso à garganta clamando pela alforria do verbo que não fecundo se atira na maresia e adere aos pelos da alma   ah, pescador de ilusões, comprova que vale a pena: lança o anzol bem no fundo, da calma que vai pequena - Lena Ferreira -