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nessas horas

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*** cessa o vento sobre o mundo - o de dentro e o de fora - por um tempo impreciso horas varrem um segundo tudo em volta desfalece ontem transmutado em agora a mão deposita a cena sobre um verso que se esquece onde a rima não se escrava nessas horas indecisas quando a pena desarvora o silêncio é palavra - Lena Ferreira -

rimas orvalhadas

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*** quando o Jardineiro vem colher suas flores deixa rimas orvalhadas pelos cantos das janelas que aspiravam seus valores inspiradas, certamente, pelo encanto das sementes ventureiras desde o colo que fincaram suas raízes bem no vento das nuvens robustas, fizeram seu solo quebrando o trato feito com o tempo quando o Jardineiro vem, vem sem aviso é por isto que estes versos de improviso dizem menos, bem menos que deveria dizer dessas flores bem como se deve há somente um Autor que se atreve pois é o Verbo e a própria Poesia - Lena Ferreira -

à brisa mole

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*** quando olhos se procuram  sem encontro e perguntas se afogam  sem respostas urge a busca por um vento mais propício que diga, do início, muito mais do que do fim que cure o corte fundo feito à navalha solicitando à brisa mole que equivalha aos acordes sazonais capaz  equacionar essas questões ambivalentes plantando, aos pés do tempo, os detalhes racionais - Lena Ferreira -

ao largo

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*** ao largo, esperas cansadas se empenham: nutrindo uma esperança esquálida balbuciam preces indizíveis por dias a mais mas, a reza que os céus preferem e a que ainda profiro é por dias amenos - Lena Ferreira - 

afasia

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*** do outono que se vai, o que nos deixa desponta em certos fundos de quintais nas nuvens de algum céu feito de queixa semeia intermitentes temporais difícil o respirar do ar que pesa e lesa as folhas que clamam por vento rejeitam o argumento que despreza e rezam por um novo pensamento mas, só rezar bem pouco adianta o que fazer com o grito na garganta contido por coragem ou covardia? talvez o inverno traga-nos respostas talvez, quem sabe, as folhas mais dispostas possam virar-se e findar a afasia  - Lena Ferreira -

só pra quem está dentro

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*** ninguém sabe o que acontece quando a porta fecha o que as paredes dizem, o que as cortinas sonham e mesmo que soubessem, nada disso importam a vida segue em curso, nascimento e morte sussurros, sopro, vento, solidão ao norte ao sul, a brisa é mansa e a porta, sempre aberta, recebe a chuva com sorrisos de esperança e, mesmo com o peso instável na balança, vislumbra a solução através de uma brecha então, o que acontece quando fecha a porta é coisa que só pra quem está dentro importa - Lena Ferreira - 

por sorte

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*** a noite deu um passo firme além da tarde com as mãos pesadas de promessas vespertinas em sua órbita, já transitam muitos rastros quase escondidos por estrelas repentinas só mais um passo, cuidadoso, sem alarde e o manto negro, como uma leve cortina, recobre o céu e nos descobre ainda frágeis nessa jornada entre o chão, o céu e os astros um passo a mais e a madrugada traz o sono entregue o corpo, a alma em suposto abandono talvez percorra os rastros, passos desse dia talvez vigie o corpo intacto em esperas talvez reclame as promessas de outras eras talvez, com sorte, acorde em nós, a poesia - Lena Ferreira - foto: Maria Célia R. Domingos