sábado, 15 de agosto de 2015

MEMÓRIAS DE QUINTAIS

Trago, intactas, memórias de quintais
onde as asas da infância, sem ter peso,
levavam-me em voos plenos e infinitos
aos mundos mais diversos, imprevistos
...fantasias

Os pés descalços sacudiam o pó do tempo
e as mãos arteiras sonhando moldar nuvens
riscavam um sol torto e sorridente no chão
quando o céu acordava meio aborrecido
...e ele sorria

Os olhos rompiam as amarras do provável imposto
e sondava a calma impensada do vozerio das cores
que, dançando com o vento em festa sem anúncio,
convidava joaninhas e borboletas para mais uma valsa
...de euforias

Num tempo vívido e vivido entre os sonhos mais reais
...nostalgia?

Não...

Memórias como estas trazem o cheiro das coisas frescas
dos sabores, dos temperos, das andanças mais incautas,
e das tranças da menina tão peralta, leve e solta no balanço
e tão exatas que, em visita, ainda alcanço o seu perfume:
...poesia


MEMÓRIAS DE QUINTAIS - Lena Ferreira -




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